Por norma, não sou particular adepto de cinema português. E não o sou por um motivo: há uma pseudonite transversal que, além de não conseguir cativar, me leva a chegar ao final de cada filme com a sensação de perda de tempo. Feito o reparo, será que este Morrer Como Um Homem é excepção?
Não. João Pedro Rodrigues (realizador d' O Fantasma e Odete) apresenta-nos uma história facilmente confundível com o universo de Pedro Almodóvar: Tonia (Fernando Santos) é um travesti em final de carreira, prestes a sujeitar-se à cirúrgia de mudança de sexo, com um namorado toxicodependente e um filho, militar, a tentar escapar à justiça, após o homícidio de um outro soldado.
Se o argumento já parece confuso com estes dados, o fio condutor do filme revela-se um novelo (ou novela?), cruzado com momentos musicais (pouparei novas comparações) e poesia alemã, recitada sem qualquer propósito ou sentido. Peca, também, por uma duração superior a 120 minutos, elementos forçados e clichés em abundância.
Não fossem todos estes detalhes desapropriados e desnecessários e Morrer Como Um Homem conseguiria se transformar num (relativamente) bom filme, uma vez que o lado humano das personagens é bem explorado. Na recta final quase se redime até, mas com um travesti a cantar fado, em cima de jazigos e assistindo ao seu próprio funeral (vestido, já, como um homem), voltei a perceber o que me incomoda no cinema português.
realizador: João Pedro Rodrigues
ano: 2009
6.9 no IMDb
> ver trailer
